Uma área da alfabetização que está mudando é a ordem em que as coisas são apresentadas - não é linear, é organizada espacialmente e, muitas vezes, algum significado é transportado no design, layout, imagens, sons, movimento, nas mudanças sutis de cores em um jogo - é tudo parte do que a alfabetização é no mundo de hoje. Essas mudanças são fundamentais para a alfabetização operacional: as maiores desde a imprensa.
Ele é uma pessoa inspiradora. Hoje é um dia triste.
Mantenha-se faminto, mantenha-se bobo
Mais uma insônia na madrugada na última noite. Aninhei-me na cama com o iPad em mãos, luzes apagadas, o ruído delicioso da cidade dormindo. Era hora de tocar no ícone do Flipboard e ler o que se passava.
Steve Jobs deixa o cargo de CEO da Apple. Marco na história da tecnologia mundial. Sim, marco porque ele foi o responsável pela teimosia em pressionar o mercado da inovação em computadores em muitos momentos. Ele é um dos responsáveis por revoluções na forma como ouvimos música, como consumimos cultura hoje, como nos comunicamos e percebemos o mundo.
Não, não fundarei uma religião.
Na madrugada, me deparei com uma matéria do Mashable falando sobre 10 momentos icônicos na carreira do Steve Jobs. Fui direto no discurso dele em Stanford, 2005. Já havia assistido esse vídeo, mas queria ouvir tudo aquilo novamente.
Soco no estômago. Precisava colocar as coisas em perspectiva e faz um post-it mental para nunca esquecer: “mantenha-se faminto, mantenha-se bobo”. Nunca se satisfaça, tenha consciência da sua ignorância. Parece óbvio, mas o óbvio é subestimado a todo tempo, por isso renovei meus votos.
Revista Select
[PUBLICAÇÕES/REVISTA SELECT] Baixei o app da revista Select pela App Store na semana passada, mas ainda não tinha parado para ler a publicação. Hoje, vi um comentário do +Fabricio Renovato sobre a nova edição e tratei de baixar e dar uma lida. Fiquei muito feliz com o que vi.
Leia tudo AQUI.
As mídias sociais e o jogo do “muitos falam, poucos querem ouvir”
A matéria publicada no TechTudo da Globo.com acusa o Facebook e o Twitter de criarem uma geração obcecada por atenção. Os seres humanos constroem identidades e relações através de suas ferramentas e são emboscados e iludidos por si mesmos: a ferramenta leva a culpa. (…)
Do hipertexto opaco ao hipertexto transparente, por Pierre Lévy
Sempre admirei a filosofia do Pierre Lévy (@PLevy) pela atitude positiva e multidimensional de sua teoria. Esse vídeo é a primeira parte (de quatro) de uma vídeo conferência que aconteceu no 3º Simpósio Hipertexto e Tecnologias da Informação, evento realizado em dezembro de 2010 e que contou com a participação de mais de 600 pesquisadores.
Nele, Lévy comenta sobre inteligência coletiva, a alteração do modo como gerenciaremos a quantidade de informações, web semântica e muitos insights sobre a relação entre conhecimento, tecnologia e sociedade.
O NEHTE-UFPE (Núcleo de Estudos de Hipertexto e Tecnologia na Educação) possui um site e muito conteúdo para quem se interessa pela área. Para mais informações, acesse o blog nehte.blogspot.com ou o site oficial www.ufpe.br/nehte.
As outras partes da conferência:
As coisas que acontecem na internet a cada 60 segundos
- Mais de 13 mil horas de música são tocadas através do Pandora.
- Mais de 1.200 novos anúncios são postados no Craigslist.
- 370.000 minutos de conversa por voz no Skype.
- São criadas mais de 320 novas contas no Twitter e 98.000 tuítes são publicados.
- São criadas mais de 100 novas contas no LinkedIn.
- Um novo artigo é publicado no Associated Content do Yahoo.
- Mais de 6.600 imagens são enviadas para o Flickr.
- O WordPress é baixado mais de 50 vezes. São mais de 125 plugins baixados no mesmo tempo.
- Mais de 695.000 atualizações de status são publicadas no Facebook. Dentre elas, 79.364 postagens no mural e 510.040 comentários.
- O Firefox é baixado mais de 1.700 vezes.
- São feitas 694.445 buscas no Google.
- São enviados 168.000.000 de emails.
- Mais de 60 blogs são criados e mais de 1.500 posts são publicados.
- Mais de 70 novos domínios são registrados.
- Mais de 600 vídeos são enviados ao YouTube totalizando mais de 25 horas de conteúdo.
- Perguntas são feitas na internet: mais de 40 no Yahoo Answers e mais de 100 no Answers.com.
- Mais de 13.000 aplicativos são baixados para o iPhone.
- Mais de 20.000 novos posts são publicados no Tumblr.
- Uma nova definição é adicionada ao Urban Dictionary.
- Mais de 1.600 leituras são feitas no Scribd.
(Infográfico da Shangai Web Designers com informações dos EUA.)
The “Post-PC” Era: It’s Real, But It Doesn’t Mean What You Think It Does

Ontem a Sarah Rotman Epps, da empresa americana de pesquisa independente Forrester, publicou um artigo comentando sobre a era Pós-PC. Ela já esclarece no título que, ao contrário do que alguns pensam, o computador pessoal não morrerá. Na verdade haverá uma evolução de uso e aplicação.
Aqui estão alguns pontos interessante mostrados no artigo:
A utilização de estacionária a ubíqua: o uso do computador desktop com tempo marcado dá lugar ao tablet ou smartphone sendo usado em qualquer lugar, a qualquer hora.
Sempre ligados: nada mais de tempo de boot, tempo de desligamento. Os aparelhos móveis estão sempre ligados, sempre prontos para o uso em qualquer lugar (seja enquanto você assiste TV ou espera em um fila).
Da proximidade à intimidade: o computador que ficava a uma curta distância passa a estar perto do corpo, na bolso, em bolsos, na mão.
A interação torna-se mais física e direta: o paradigma mouse/teclado dá lugar às telas sensíveis ao toque, manipulação em duas dimensões. (Outros dispositivos como o Microsoft Kinect uso o próprio corpo e voz do usuário como controles.)
A flexibilidade e as inovações em tecnologia proporcionam que o computador esteja presente em mais contextos dentro das dinâmicas da nossa rotina. Inovações alimentam mudanças sociais e mudanças sociais alimentam inovações.
Vale a pena a leitura (em inglês). Clique no título (ou aqui) e divirta-se.
Reflexões sobre o mundo hoje
“Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender.” - Alvin Toffler
O grande filósofo e educador Paulo Freire já pensava na educação como um processo sem começo, meio e fim. A educação é uma experiência social midiatizada pelo mundo.
Passamos a Revolução Industrial, a Era da Informação e entramos na Era do Conhecimento. Produz-se, reproduz-se e difunde-se informação o tempo todo. Quem sabe articular as informações e transformá-las em conhecimento sai na frente.
Mas o silogismo se complica. Só há como articular as informações produzindo mais informações. O conhecimento não surge apenas do superávit de informação, mas da informação certa, na hora certa, no contexto certo.
O pulo do gato não está exatamente na articulação, mas no caráter ativo dessa articulação e em sua sobrevivência e difusão.
Há que se ter um ambiente propício para o organismo-conhecimento nascer e se desenvolver. E, se ele não copula com outras informações e conhecimentos, morre engessado em seu meio fetichista: o conhecimento pelo conhecimento, envelhecido rapidamente, desatualizado rapidamente, não mais pronto para sobreviver ao ambiente.
Hoje fala-se muito em inteligência coletiva, mass intelligence, crowd sourcing e muito pouco no caráter mais importante de toda essa parafernália conceitual: o humano.
O humano parece ficar relegado à ciência humana, caricata, hermética, poetizada. Como se o exato fosse exato e dois mais dois sempre resultasse em cinco.
Sim, fala-se em capital humano, como se cada nó da rede fosse um commodity a ser metrificado e potencializado: relevância nas redes sociais, poder de mobilização de outros nós, influência.
E muitos desviam o foco dessa valoração para a ferramenta, como se os serviços (Twitter, Facebook, etc.) fossem os verdadeiros responsáveis pela degradação ou potencialização das informações. Como se o meio fosse uma entidade supra-comunicacional.
O meio é a mensagem, como diria o generoso McLuhan. Eu assino embaixo enquanto a fita corre, o parágrafo acaba e ainda há muito a ser escrito. Enquanto já estão escrevendo mais e mais e mais.
Acesso a internet desde 1998 e vejo os movimentos se repetindo em padrões singulares. Sempre haverá uma nova novidade reconfigurando a rede, sempre haverá os que entenderão a onda e se aproveitarão dela, sempre haverá quem aponte para ela e a demonize, já que não a entende. (E haverá sempre os atrasados.)
Entendo o mundo sempre a partir da metáfora da Biologia. Quanto mais pesquiso, mais vejo esse padrão de seleção natural se repetindo e mais vertigem sinto ao colocar em paralelo o texto (em todas as suas manifestações: escrito, imagem, gesto, dança, música e tantos outros) e o organismo.
Bauman fala em identidade líquida, modernidade líquida. Se ser gasoso parece picaresco, contradigamos o pós-humano e voltemos ao biológico.
Exatamente por essa metáfora e pela minha experiência pessoal, não acredito em especialistas prontos, em formação finita, em sabedoria alcançada. Viro quase um budista, para o qual tudo é fluxo, meio, sem começo, sem fim.
É uma forma de pensar bastante abstrata e há uma certa angústia em assumir que não se tem mais uma âncora firme, um porto seguro, um livro de leis, nos quais se agarrar e defender todas as verdades.
O outro lado desse pensamento é alegrar-se com as possibilidades infinitas.
Entendo porque tanta gente tem raiva do pós-moderno.
P.S.: A imagem do post é do kilrizzy, via Deviantart.
A Psicanálise nos tempos do Twitter
Tirinha do Adão. Mais aqui.

