Uma área da alfabetização que está mudando é a ordem em que as coisas são apresentadas - não é linear, é organizada espacialmente e, muitas vezes, algum significado é transportado no design, layout, imagens, sons, movimento, nas mudanças sutis de cores em um jogo - é tudo parte do que a alfabetização é no mundo de hoje. Essas mudanças são fundamentais para a alfabetização operacional: as maiores desde a imprensa.
Zygmunt Bauman, sobre sociedade e contemporaneidade
Vídeo do projeto Fronteiras do Pensamento 2011 com o sociólogo Zygmunt Bauman. Imperdível.
Veja AQUI.
As mídias sociais e o jogo do “muitos falam, poucos querem ouvir”
A matéria publicada no TechTudo da Globo.com acusa o Facebook e o Twitter de criarem uma geração obcecada por atenção. Os seres humanos constroem identidades e relações através de suas ferramentas e são emboscados e iludidos por si mesmos: a ferramenta leva a culpa. (…)
Nós somos o futuro
Grafos sociais, APIs sociais, realidade aumentada, convergência total entre online e offline, conteúdo totalmente personalizado e sinergizado. O mundo do futuro não estará mais preocupado com as ferramentas, nem com a busca por conteúdo. A melhor interface será aquela que não se deixa enxergar e o refinamento das ferramentas logo chegará a um nível em que a apropriação, produção e compartilhamento de conteúdo levará as novas gerações a uma vivência completamente diferente da que experimentamos hoje.
E isso não acontecerá apenas com o marketing ou as relações de consumo, mas com todos os produtos culturais.
Ainda existirão livros? Professores? Escolas? Smartphones? Tablets? Internet com velocidades limitadas? Talvez. O mundo do futuro é o mundo das simultaneidades e potencializações, das camadas a serem exploradas.
E isso já está acontecendo.
O futuro do marketing e da cultura está na forma como a informação será apropriada, interpretada e compartilhada. No entanto, continuarão existindo os que correm com o fluxo e aqueles que intervêm sobre ele, além do consumismo e das leis mandatórias do “i”.
(Vídeo via +Ricardo Francisco Prochnow)
How intersemiotic translations (e.g. literature to cinema, comics to cinema) are changing the way we read? - Quora

Essa é a minha primeira pergunta no Quora e ela abre o tópico “Intersemiotics” no serviço. Clique no título do post para seguir a pergunta ou clique aqui.
Sobre cultura de massa e inocências
A Regina Casé faz um ótimo trabalho na Globo divulgando a cultura que é minoritarizada pelas instituições culturais soberanas do Brasil (se é que elas realmente existem e seja lá qual for a real importância delas; isso é papo pra noites e noites no boteco da esquina).
Prefiro falar em “minoritização” do que falar em “sub-culturas” ou “culturas menores” porque hoje vivemos num mundo heterogêneo demais e simultâneo demais pra termos a pretensão de determinar quem é, de fato, hegemônico ou não (em termos gerais, porque hegemonia cultural existe, mas é papo pra mais muitas noites no boteco da esquina) em termos absolutos.
O vídeo da Regina é um aviso e, talvez, um modesto manifesto de que os locais e as posições dentro das culturas não são mais tronos reais, mas fazem parte de grandes sistemas orgânicos nos quais as posições são fluidas e as hierarquias relativas e parciais. E isso é ótimo.
(Vídeo via @metheoro, no Twitter.)
The “Post-PC” Era: It’s Real, But It Doesn’t Mean What You Think It Does

Ontem a Sarah Rotman Epps, da empresa americana de pesquisa independente Forrester, publicou um artigo comentando sobre a era Pós-PC. Ela já esclarece no título que, ao contrário do que alguns pensam, o computador pessoal não morrerá. Na verdade haverá uma evolução de uso e aplicação.
Aqui estão alguns pontos interessante mostrados no artigo:
A utilização de estacionária a ubíqua: o uso do computador desktop com tempo marcado dá lugar ao tablet ou smartphone sendo usado em qualquer lugar, a qualquer hora.
Sempre ligados: nada mais de tempo de boot, tempo de desligamento. Os aparelhos móveis estão sempre ligados, sempre prontos para o uso em qualquer lugar (seja enquanto você assiste TV ou espera em um fila).
Da proximidade à intimidade: o computador que ficava a uma curta distância passa a estar perto do corpo, na bolso, em bolsos, na mão.
A interação torna-se mais física e direta: o paradigma mouse/teclado dá lugar às telas sensíveis ao toque, manipulação em duas dimensões. (Outros dispositivos como o Microsoft Kinect uso o próprio corpo e voz do usuário como controles.)
A flexibilidade e as inovações em tecnologia proporcionam que o computador esteja presente em mais contextos dentro das dinâmicas da nossa rotina. Inovações alimentam mudanças sociais e mudanças sociais alimentam inovações.
Vale a pena a leitura (em inglês). Clique no título (ou aqui) e divirta-se.
Reflexões sobre o mundo hoje
“Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender.” - Alvin Toffler
O grande filósofo e educador Paulo Freire já pensava na educação como um processo sem começo, meio e fim. A educação é uma experiência social midiatizada pelo mundo.
Passamos a Revolução Industrial, a Era da Informação e entramos na Era do Conhecimento. Produz-se, reproduz-se e difunde-se informação o tempo todo. Quem sabe articular as informações e transformá-las em conhecimento sai na frente.
Mas o silogismo se complica. Só há como articular as informações produzindo mais informações. O conhecimento não surge apenas do superávit de informação, mas da informação certa, na hora certa, no contexto certo.
O pulo do gato não está exatamente na articulação, mas no caráter ativo dessa articulação e em sua sobrevivência e difusão.
Há que se ter um ambiente propício para o organismo-conhecimento nascer e se desenvolver. E, se ele não copula com outras informações e conhecimentos, morre engessado em seu meio fetichista: o conhecimento pelo conhecimento, envelhecido rapidamente, desatualizado rapidamente, não mais pronto para sobreviver ao ambiente.
Hoje fala-se muito em inteligência coletiva, mass intelligence, crowd sourcing e muito pouco no caráter mais importante de toda essa parafernália conceitual: o humano.
O humano parece ficar relegado à ciência humana, caricata, hermética, poetizada. Como se o exato fosse exato e dois mais dois sempre resultasse em cinco.
Sim, fala-se em capital humano, como se cada nó da rede fosse um commodity a ser metrificado e potencializado: relevância nas redes sociais, poder de mobilização de outros nós, influência.
E muitos desviam o foco dessa valoração para a ferramenta, como se os serviços (Twitter, Facebook, etc.) fossem os verdadeiros responsáveis pela degradação ou potencialização das informações. Como se o meio fosse uma entidade supra-comunicacional.
O meio é a mensagem, como diria o generoso McLuhan. Eu assino embaixo enquanto a fita corre, o parágrafo acaba e ainda há muito a ser escrito. Enquanto já estão escrevendo mais e mais e mais.
Acesso a internet desde 1998 e vejo os movimentos se repetindo em padrões singulares. Sempre haverá uma nova novidade reconfigurando a rede, sempre haverá os que entenderão a onda e se aproveitarão dela, sempre haverá quem aponte para ela e a demonize, já que não a entende. (E haverá sempre os atrasados.)
Entendo o mundo sempre a partir da metáfora da Biologia. Quanto mais pesquiso, mais vejo esse padrão de seleção natural se repetindo e mais vertigem sinto ao colocar em paralelo o texto (em todas as suas manifestações: escrito, imagem, gesto, dança, música e tantos outros) e o organismo.
Bauman fala em identidade líquida, modernidade líquida. Se ser gasoso parece picaresco, contradigamos o pós-humano e voltemos ao biológico.
Exatamente por essa metáfora e pela minha experiência pessoal, não acredito em especialistas prontos, em formação finita, em sabedoria alcançada. Viro quase um budista, para o qual tudo é fluxo, meio, sem começo, sem fim.
É uma forma de pensar bastante abstrata e há uma certa angústia em assumir que não se tem mais uma âncora firme, um porto seguro, um livro de leis, nos quais se agarrar e defender todas as verdades.
O outro lado desse pensamento é alegrar-se com as possibilidades infinitas.
Entendo porque tanta gente tem raiva do pós-moderno.
P.S.: A imagem do post é do kilrizzy, via Deviantart.
Hoje rolou a hashtag #UniaoHomoafetiva no Twitter, puxada pela votação da lei que regulamenta a união civil entre pessoas do mesmo sexo no Brasil. O @inagaki postou um vídeo obrigatório sobre o assunto no qual o Keith Olbermann comenta sobre a proposta 8 votada na Califórnia, Estados Unidos, que impede o casamento homossexual.
Ao final do seu discurso, não pude deixar de pesquisar sobre a passagem que destaquei na imagem acima. Trata-se das palavras de Omar Khayyām, poeta, matemático e astrônomo iraniano.
O amor é a lei.
P.S.: A tradução das palavras de Omar: “Que eu seja escrito no livro do amor, não acredito no livro superior. Apague o meu nome ou escreva-o como quiser, para que eu seja escrito no livro do amor”.
“… e se é verdade que errar é humano, nada poderá negar o nosso mérito de termos alcançado um nível realmente assombroso de humanidade.”
Tirinha do Quino.

