Uma área da alfabetização que está mudando é a ordem em que as coisas são apresentadas - não é linear, é organizada espacialmente e, muitas vezes, algum significado é transportado no design, layout, imagens, sons, movimento, nas mudanças sutis de cores em um jogo - é tudo parte do que a alfabetização é no mundo de hoje. Essas mudanças são fundamentais para a alfabetização operacional: as maiores desde a imprensa.
As variações da língua e educação
Vídeo do programa “Entre Aspas” apresentado pela Mônica Waldvogel na GloboNews. Como convidados, os escritores Marcelino Freire e Cristovão Tezza comentando sobre a polêmica do livro “Por uma vida melhor” (se lembra?). Aula básica de Linguística, sem complicações.
A Educação no Brasil
Para complementar o meu outro texto. Esse vídeo vai além de qualquer teoria e polêmica rasa. Vale assistir, vale multiplicar.
O que pode esta língua?

A grande polêmica dos últimos dias foi a aprovação do livro ”Por uma Vida Melhor” feita por uma comissão de professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A GRANDE polêmica? A publicação não trabalha com o uso “correto” ou “incorreto” da língua, mas sim com o uso “adequado” ou inadequado”. Que revolução!
A imprensa brasileira, totalmente desinformada e superficialíssima na discussão do ponto que realmente interessa, simplesmente não se deu ao trabalho de refletir sobre as questões mais profundas.
Um texto merece destaque. “Livro didático a faz apologia do erro: exponho a essência da picaretagem teórica e da malvadeza dessa gente”, escrito por Reinaldo Azevedo, jornalista político da Veja.
Esquece-se ele da Sociolinguística que tem relevância desde os trabalhos de Ferdinand de Saussure, no começo do século XX. Esquece-se ele do esforço de acadêmicos e pesquisadores da área para o aprofundamento e a mudança do pensamento geral “malvado” de que há a necessidade da punição do uso de variâncias da língua. Esquece-se ele que vivemos em um país continental, riquíssimo culturalmente e que não apenas a língua reflete essa imensidão de possibilidades, mas que ela é utilizada como parte da formação de identidades e, por isso mesmo, varia em composições mutantes.
A visão pobre de que a “norma culta” é um espólio a ser defendido com unhas e dentes vai ficando cada vez mais cômico. Sim, qualquer língua possui uma “norma culta”, um conjunto de regras que cria uma coesão mínima gramatical. Mas a invenção populista/tacanha de regras que deslocam o exercício de poder da educação para a política é que deveria mostrar-se como a verdadeira “picaretagem teórica e malvadeza” a ser combatida.
O “adequado” e o “inadequado” servem melhor à língua porque desfaz a ditadura dos guardiões da língua portuguesa pura. Esse conceitos permitem a percepção de que, independente da “norma culta”, há uma realidade linguística sendo exercitada diariamente.
E, mais do que isso, permite o reconhecimento dessas expressões como soberanas, mas não invalida que há registros específicos para situações específicas. A “norma culta” serve muito bem em certas situações, assim como o coloquial serve muito bem em outras.
O pior de tudo é a imprensa não se dar ao trabalho de consultar especialistas brasileiros sobre o assunto (e há muitos) e aproveitar a oportunidade para diluir o nosso neocolonialismo tão pungente.
Expor os alunos do ensino médio a essa visão é parte da obrigação de um professor com boa formação. A realidade da língua ultrapassa dicionários e gramáticas. Entender isso toca em algo muito maior que a própria língua: a formação da consciência da diversidade (e essa vai muito além da sexualidade).
Enquanto isso, lembro-me da notícia de que um dos mais importantes dicionários da língua inglesa, o Oxford English Dictionary, adicionou “OMG” (“Oh My God”, que corresponde à interjeição “Meu Deus!”), “LOL” (“Laugh Out Loud”, “ri alto”) e o símbolo “<3” (o coraçãozinho que marca a simpatia por algo/alguém) ao vocabulário “oficial” da língua anglófona.
Imagine como a imprensa reagiria a uma situação tão escandalosa como essa aqui no Brasil!
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ATUALIZAÇÃO 01 às 16:30h: Vale a pena ler esse ótimo texto do Alisson da Hora: “Sobre línguas e linguísticas”.
ATUALIZAÇÃO 02 às 18:11h: Ótimo texto do professor Nelson Pretto sobre o assunto: “Livros didáticos: discussão equivocada”.
Reflexões sobre o mundo hoje
“Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender.” - Alvin Toffler
O grande filósofo e educador Paulo Freire já pensava na educação como um processo sem começo, meio e fim. A educação é uma experiência social midiatizada pelo mundo.
Passamos a Revolução Industrial, a Era da Informação e entramos na Era do Conhecimento. Produz-se, reproduz-se e difunde-se informação o tempo todo. Quem sabe articular as informações e transformá-las em conhecimento sai na frente.
Mas o silogismo se complica. Só há como articular as informações produzindo mais informações. O conhecimento não surge apenas do superávit de informação, mas da informação certa, na hora certa, no contexto certo.
O pulo do gato não está exatamente na articulação, mas no caráter ativo dessa articulação e em sua sobrevivência e difusão.
Há que se ter um ambiente propício para o organismo-conhecimento nascer e se desenvolver. E, se ele não copula com outras informações e conhecimentos, morre engessado em seu meio fetichista: o conhecimento pelo conhecimento, envelhecido rapidamente, desatualizado rapidamente, não mais pronto para sobreviver ao ambiente.
Hoje fala-se muito em inteligência coletiva, mass intelligence, crowd sourcing e muito pouco no caráter mais importante de toda essa parafernália conceitual: o humano.
O humano parece ficar relegado à ciência humana, caricata, hermética, poetizada. Como se o exato fosse exato e dois mais dois sempre resultasse em cinco.
Sim, fala-se em capital humano, como se cada nó da rede fosse um commodity a ser metrificado e potencializado: relevância nas redes sociais, poder de mobilização de outros nós, influência.
E muitos desviam o foco dessa valoração para a ferramenta, como se os serviços (Twitter, Facebook, etc.) fossem os verdadeiros responsáveis pela degradação ou potencialização das informações. Como se o meio fosse uma entidade supra-comunicacional.
O meio é a mensagem, como diria o generoso McLuhan. Eu assino embaixo enquanto a fita corre, o parágrafo acaba e ainda há muito a ser escrito. Enquanto já estão escrevendo mais e mais e mais.
Acesso a internet desde 1998 e vejo os movimentos se repetindo em padrões singulares. Sempre haverá uma nova novidade reconfigurando a rede, sempre haverá os que entenderão a onda e se aproveitarão dela, sempre haverá quem aponte para ela e a demonize, já que não a entende. (E haverá sempre os atrasados.)
Entendo o mundo sempre a partir da metáfora da Biologia. Quanto mais pesquiso, mais vejo esse padrão de seleção natural se repetindo e mais vertigem sinto ao colocar em paralelo o texto (em todas as suas manifestações: escrito, imagem, gesto, dança, música e tantos outros) e o organismo.
Bauman fala em identidade líquida, modernidade líquida. Se ser gasoso parece picaresco, contradigamos o pós-humano e voltemos ao biológico.
Exatamente por essa metáfora e pela minha experiência pessoal, não acredito em especialistas prontos, em formação finita, em sabedoria alcançada. Viro quase um budista, para o qual tudo é fluxo, meio, sem começo, sem fim.
É uma forma de pensar bastante abstrata e há uma certa angústia em assumir que não se tem mais uma âncora firme, um porto seguro, um livro de leis, nos quais se agarrar e defender todas as verdades.
O outro lado desse pensamento é alegrar-se com as possibilidades infinitas.
Entendo porque tanta gente tem raiva do pós-moderno.
P.S.: A imagem do post é do kilrizzy, via Deviantart.
5 maneiras de integrar a tecnologia ao aprendizado infantil (em inglês)

Educação contextualizada, aplicada, aprendizado personalizado que segue o ritmo pessoal da criança, esses são apenas alguns tópicos da educação do futuro. O mundo anda para frente.
(via Mashable)
Para que serve a Educação?
“Existe uma grande diferença entre adquirir conhecimento para ganhar a vida e adquirir conhecimento para fazer uma vida.”
Confira mais conteúdo interessante no Livros e Afins.
Observe o modo que são educadas as crianças. Quando reparamos nos fatos tais como são, e como sempre foram, salta aos olhos que toda educação consiste num esforço contínuo para impor à criança maneiras de ver, de sentir e de agir às quais ela não teria chegado espontaneamente. Desde os primeiros tempos de sua vida a obrigamos a comer, a dormir, a beber nas horas certas. Obrigamo-la à limpeza, à calma, à obediência. Mais tarde, obrigamo-la a ter em conta os outros, a respeitar os usos, as conveniências, a trabalhar, etc, etc. Se, com o tempo, essa coerção deixa de ser sentida, é porque, pouco a pouco, engrenou hábitos e tendências internas que as tornaram inútil, mas que só as substituem porque derivam dela. É verdade que, segundo Spencer, uma educação racional deveria reprovar tais processos e deixar a criança agir com toda liberdade; mas, como esta teoria pedagógica nunca foi praticada por nenhum povo conhecido, só constitui um desideratum pessoal, e não um fato que possa opor-se aos precedentes. Ora, o que torna estes últimos particularmente instrutivos é o fato da educação ter justamente por objetivo fazer o ser social. Nela se pode ver, em suma, como esse ser se constitui na história. Esta pressão permanentemente exercida sobre a criança é a própria pressão do meio social que tende a moldá-la à sua imagem, e dos quais pais e professores são meros representantes e intermediários.
A Universidade e o conhecimento
Postei o vídeo “A folha que sobrou do caderno” no meu antigo blog, mas acho que a reflexão ainda é bastante pertinente.
Frase do vídeo:
“Nem sei tão pouco se quero ver como vêem os teus olhos. Nada do que possas ver me levará a ver e a pensar contigo se eu não for capaz de ver pelos meus olhos e pensar comigo.”

