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As redes sociais não irão salvar a sua vida

Hoje, conversando com Carol sobre nossa relação com as redes sociais, fiquei me perguntando se as pessoas acham mesmo que a ferramenta é o novo Deus. Porque é simples: as redes sociais não irão salvar a sua vida. E falo de ferramenta, porque as redes sociais são apenas meios tecnológicos de criar conexões, que, talvez, seja o novo nome pra relação.

Me explico: quando eu estava no começo da minha adolescência não haviam celulares, nem internet, muito menos redes sociais (não como elas são hoje, obviamente). Lembro-me da minha primeira empreitada para uma espécie de iniciativa crowdsourced, bem primária diga-se de passagem. Criei um cartaz uma folha de ofício A4, inaugurando um Clube dos Jogadores de Nintendo para arrebanhar outros adolescentes com o objetivo de conversar sobre games e, naturalmente, jogar. Jornais da cidade até publicavam notas sobre jogos em cadernos especiais. No final do cartaz, um telefone para contato. Fiz, junto com amigos, mais ou menos uns 50 cartazes e espalhei-os colando nos postes de ruas vizinhas. Recebi mais ou menos 3 contatos e, obviamente, o Clube dos Jogadores de Nintendo não foi pra frente.

Claro que eu, aborrescente, havia criado uma grande espectativa sobre o clubinho. E eu imaginava que só com o ato de criar o clubinho já estaria mais perto de algum tipo de paraíso dos jogadores de Nintendo. Não era bem assim.

Hoje apenas estar nas redes sociais não salva ninguém. (Se é que há alguma salvação a ser alcançada). Pensar nas relações na internet como substitutas das relações no mundo offline é errar duplamente: relações são relações em qualquer ambiente, o que muda é o meio (sim, o meio influencia a conformação das relações); as relações na internet passam por gradações e contextos, assim como no mundo offline temos amigos, conhecidos, colegas, amigos de amigos, o povo do trabalho, da balada, dos papos filosóficos, contatos (e todas as interseções possíveis). Não há como você contar as suas aventuras sexuais pro seu chefe. (OK, não vamos falar sobre os sem-noção).

Em termos de vida, você é online mais ou menos o que você é offline. Você se traduz online do jeito que você mais ou menos se vê offline: seja passando um photoshop na sua personalidade ou simplesmente jogando as informações online e esperando pelo melhor. Assim, também como acontece na vida, você está sob o jugo das interpretações alheias, ou seja, cada pessoa te enxerga e te encaixa em um ou mais estereótipos a partir de parâmetros pessoais, que, invariavelmente, criarão imagens de você que você não concorda ou não consegue enxergar. Como diria a Suplicy: relaxa e goza.

Uma dica: seja você mesmo. Photoshopando sua personalidade ou sendo sincero, as pessoas criarão personagens pra você (e nem sempre haverá oportunidade de revisar esses personagens, mostrar que não é bem assim).

Se sua vida é um saco, se você vive uma novela das oito, se você morre de tédio quase todos os dias, se escreve um livro por dia na sua cabecinha, se não tem nada sobre o que falar ou se tem opinião sobre tudo, não adianta, isso vai estar no seu alter ego online. Tentar esconder isso online é um jogo perdido.  

As redes sociais não servirão como remédios tarja preta milagreiros (nem os tarja preta do mundo offline o são). Cada um cria as suas conexões do seu jeito, maneja as redes sociais com objetivos pessoais, mas tudo isso são apenas ferramentas. Elas estão passando por constantes mudanças e você também.

Culpar a internet ou as redes sociais por qualquer problema offline é como rezar uma Ave-Maria sendo protestante, não adianta usar o canal errado. O que você quer das suas relações online/offline vai depender basicamente do que você quer da sua vida. 

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Avatar Ernesto Diniz, Diretor de Criação e mestre em Língua e Cultura (Tradução Intersemiótica) pela UFBA. Keywords: Semiótica, Memética, Transcriação, Arte, Social Media, Design, Tecnologia, Macumba Celta.
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